Muita paciente chega dizendo que “sempre foi assim” ou que já ouviu que era normal. Não é. Dor recorrente na relação tem nome — dispareunia — e tem investigação possível.
Onde dói importa
A localização é a primeira pista:
- Dor na entrada: costuma apontar para ressecamento, alterações da vulva, cicatriz de parto, fissuras ou contração muscular involuntária.
- Dor profunda: levanta a hipótese de endometriose, miomas, alterações ovarianas ou processos inflamatórios pélvicos.
Causas mais frequentes
- ressecamento por queda hormonal — pós-parto, amamentação, perimenopausa, uso de alguns contraceptivos;
- vaginismo e hipertonia da musculatura pélvica;
- cicatriz de episiotomia ou de cirurgia prévia;
- infecções e dermatoses da vulva;
- endometriose;
- componente emocional, isolado ou somado aos anteriores.
Vale insistir num ponto: é muito comum haver mais de uma causa ao mesmo tempo. Tratar só uma explica por que tantas mulheres relatam melhora parcial e desistem.
Como é a investigação
Começa pela conversa: quando começou, onde dói, em que momento, se é sempre ou às vezes, o que já foi tentado. Depois vêm o exame — feito com cuidado redobrado quando há dor — e, conforme a suspeita, exames complementares.
O tratamento
Segue a causa: pode ser hormônio local, laser, tratamento de cicatriz, fisioterapia pélvica, ajuste de medicação, abordagem da endometriose ou terapia sexual. Combinações são a regra, não a exceção.
Quando procurar
Se a dor se repete, já é motivo. Não é preciso esperar que atrapalhe a relação ou que piore para procurar ajuda.


